1 de agosto de 2009

Insônia

Vou procurar dormir, que já é tarde e a madrugada é fria como a morte, mas o sono não vem e, por enquanto, entrego à sorte o meu dia de amanhã.
As horas são como gotas de orvalho na noite fria e desoladora. Os segundos e os minutos parecem saltitar do relógio e a madrugada, veloz e impiedosa, decresce rapidamente, dando lugar ao sol. A mente, engravidada de palavras, se contorce de dor e agonia, não de prazer. O grito do silêncio é ensurdecedor e nada me consola.
O correr do sangue em minhas veias, o descompasso da minha respiração, a ausência de algo que nem sei o que é, perdido no excesso de tudo que submerge no emaranhado das horas que se sucedem. Todos esses sintomas teimam em me deixar. A máquina não consegue desligar, os pensamentos trabalham durante a madrugada inteira, as vozes desconexas no meu cérebro não dão trégua momento algum.
Tenho vontade de abrir a porta e, descalça, sair noite afora, como um andarilho que busca seu sono perdido nas ruas da cidade morta.

Ao cair da noite

Um fio de esperança.

Quando me falta um pedaço

Vêm-me aquela lembrança.

Quando os olhos cerram

A lágrima escorre.

Quando a realidade urge

Os sonhos morrem.


Patrícia Orfila