22 de janeiro de 2010

livros"?

Corretíssimo, parte de minha infância li uma coleção de livros cujo nome é O mundo da criança. São 15 volumes com os seguintes títulos, na ordem: Poemas e Rimas; Contos e Fábulas; O Mundo e o Espaço; Animais e Plantas; Como as Coisas Funcionam; Como as Coisas São Feitas; Como as Coisas Evoluem; Festas e Costumes; Lugares a Conhecer; Gente de Outrora; Gente de Nosso Tempo; Fazendo e Brincando; Para Ver e Rever; Eu Sou Assim e Guia dos Pais e Professores, excelentes.
A medida que o tempo se passava, mais eu fui compreendendo que os livros eram uma necessidade para mim. Pois se vivemos uma época de degeneração social e moral, de empobrecimento da experiência e do pensamento, quando o que mais circula em nossa vida cotidiana são discursos vazios, mentirosos, torpes e superficiais, os bons livros são uma espécie de espaço preservado da inteligência e da beleza. Não se trata simplesmente de uma “fuga” da realidade banal e concreta em busca de coisas belas, também é, pois todos temos direito à beleza. Mas é muito mais do que isso. Falo de todas as questões que dizem respeito a nós, seres humanos, e que tratamos de conversar, apresentar, discutir, trocar idéias entre nós sobre nossas próprias existências. Isso inclui a condição humana atemporal e também sua situação no mundo contemporâneo, o que pensamos, o que sentimos, como nos relacionamos. Tudo o que ajudaria todos a viver melhor, de alguma forma, se fosse dada a oportunidade de um verdadeiro acesso à leitura a todos.
Sendo assim, a literatura (toda a arte) vence as distâncias temporais e espaciais, vence a distância entre eu e eu mesmo, entre a vida apenas banal que eu poderia sempre ter tido, recusando-me a ler, e a vida que, efetivamente, os livros me proporcionam.
Quero deixar claro, no entanto, que não considero que quem não lê tenha uma vida “infeliz”. O conceito de felicidade é muito equívoco, e não posso afirmar se eu, que leio, sou mais feliz do que os que não lêem. Possivelmente, é o contrário. Por não se aprofundar na complexidade, portanto, nas mazelas, de nosso mundo, alguém que não lê pode ter uma existência mais tranqüila e mais feliz. Portanto, a faculdade da leitura não é nenhum tipo de “superioridade”, uma solução ou um consolo. Simplesmente, para mim, que desde cedo vislumbrei essas mazelas de que o mundo é feito, os livros sempre foram uma saída. E uma prova de coragem. Pois todos têm a opção, mesmo tendo acesso aos livros, de fechar os olhos à complexidade, ao mesmo tempo bela e terrível do mundo. No meu caso, decidi enfrentá-la.





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O prazer de ler é resultado de estímulos constantes, que aos poucos se torna uma questão de gosto, de escolha pessoal, de atitude.
Para chegar a essa escolha é necessário ter acesso ao livro, depois vem o entendimento de que se trata de uma janela por onde acessamos séculos de conhecimento;é brinquedo que não acaba, é viajar sem sair do lugar, é o mundo na ponta dos dedos que se descortina em um virar de página.
Ler, entender,refletir, escrever, transformar.O livro é o passaporte para o autoconhecimento, para aprender a ler o mundo, viabiliza conquistas individuais e coletivas, inspira transformações, dá voz às idéias.