14 de março de 2012


Eu chorando vendo filme de romance sou minha esperança de amor sincero e final feliz. Eu rolando na cama até de manhã sou meu medo de perder as pessoas, de me machucar outra vez. Eu mexendo no cabelo sem parar sou minha insegurança enorme de não ser bonita, inteligente e ter um corpo legal. Eu arrumada e maquiada sou minha mulher auto-suficiente adormecida, que espera essas oportunidades pra se libertar. Eu jogada no sofá sou eu livre, sem neuroses, sem peso, sem forçar barra. Eu no bar com os amigos sou uma pausa nas loucuras, meu momento de distração. Eu hoje sou sua, amanhã quem vai saber ? Gosto mesmo é de ser minha, me emprestar quando for seguro, com garantia de devolução sem danos. No fundo queria é que me roubassem, sem manual, sem dor. Sou muitas, sou muito. Sou intensa, mas não peso. É só você saber como levar. Sou verdade, sou de verdade, sou na verdade mais simples do que complicada. Meio paradoxo, mas sou mulher, ser simples e ponto não é da minha natureza. A questão é que sou, mas sou pra poucos também.

Marcella Fernanda