17 de março de 2013

Do livro Guardar e Antônio Cícero

Não quero mudar você
nem mostrar novos mundos
pois eu, meu amor,
acho graça até mesmo em clichês.
Adoro esse olhar blasé
que não só já viu quase tudo
mas acha tudo tão déjà vu
mesmo antes de ver.
Só proponho alimentar seu tédio.
Para tanto, exponho a minha admiração.
Você em troca cede o seu olhar
sem sonhos à minha contemplação:
Adoro, sei lá por que, esse olhar meio escudo
que em vez de meu álcool forte
pede água Perrier.