19 de abril de 2013

"Por conseguinte, nada é mais humano do que o tédio, e não se trata de eliminá-lo, mas sim de dominá-lo. É preciso, então, que o tempo e o espaço deixem de ser inimigos do indivíduo. Roustang propõe quatro exercícios para tanto: a presença, a espera, a paciência e a potência.
A presença parece natural, mas na verdade se aprende e se desenvolve, mescla concentração em si e esquecimento do alheio. É uma resistência à distração, à fuga e à angústia; uma luta para concentrar a atenção no próprio corpo e no ambiente onde se está. A espera requer a renúncia às questões quando e como o exercício vai terminar. A paciência é a sensibilidade à alteração das nuanças do espaço e do tempo, uma tensão em direção às bordas da impaciência. A consciência do tédio pode levar, assim, ao coração e ao lugar da possibilidade, e transformar-se em potência: o desperdício de energia próprio ao tédio é apto a converter-se em intensa concentração. Em todos estes exercícios, a consciência do método – da aula, do estudo, de pesquisa – é um aliado de peso."

Retirado de:
VENTURA, Deisy. Do direito ao método e do método ao direito.