14 de abril de 2013

Quando começa a anoitecer, o estacionamento do Aeroporto Internacional de G'Bessi começa a encher de estudantes, eles se agrupam ali todas as noites, por ser o Aeroporto, um dos únicos locais onde eles podem contar com uma luz artificial e com isso conseguir estudar.

Somente 5% da população de Guiné-Conacri, na África conta com Eletricidade, e mesmo esse pouco sofre com cortes de eletricidade freqüentes. Segundo dados das Nações Unidas em média um Guiniense consome 89 kilowatts por hora ao ano. Isto é o equivalente a ter um ar condicionado ligado durante 4 minutos por dia. O americano médio consome cerca de 158 vezes esta quantidade.

Os estudantes começam a chegar no final da tarde para conseguirem os melhores lugares para estudar, que são aqueles locais que ficam diretamente abaixo de um dos 12 postes de iluminação do estacionamento

Alguns destes estudantes caminham mais de uma hora para chegar a este local.
Os locais são definidos por idade. Os alunos dos sete aos nove anos de idade sentam-se em alguns pontos que separam o transito, enquanto que os adolescentes se sentam nos pilares de cimento que rodeiam o lugar à volta do aeroporto. As garotas têm de ser acompanhadas por um irmão mais velho ou algum homem do sexo masculino de confiança. Mesmo as crianças menores são autorizadas a estar na rua até altas horas da madrugada. Aqueles que moram mais longe procuram luz nas bombas de gasolina outros no exterior das casas de famílias abastadas. Estes alunos consideram-se, ainda assim, uns sortudos.
Ali Mara, dez anos, estudava o diagrama do corpo de um inseto e disse: "Os meus pais não se preocupam comigo porque sabem que estou aqui à procura do meu futuro."