22 de maio de 2013

Escreveu porque leu

Por Fernanda Pompeu

Não é apenas para quem vai prestar Enem, vestibular, concurso público. Não é só para quem faz relatório, registro, blog, carta de amor. A dica de ler para escrever vale para qualquer necessidade de comunicação escrita.
O linguista Mattoso Câmara (1904-1970) - autor do Manual de Expressão Oral e Escrita - deu o alerta: "Ninguém escreve sobre o que não entende." Recado límpido. A primeira pergunta do redator é qual assunto eu vou tratar?

Pode ser a vida e a morte de um gafanhoto, o uso das cercas-silte para remover turbidez. Ou o manjadíssimo primeiro beijo. Ou quem sabe, o assunto seja o grande nada. Pois é possível escrever acerca de qualquer coisa. As tangíveis e as intangíveis.
Desde, é claro, que a gente tenha pensado, pesquisado, lido o que outros pensaram, pesquisaram, escreveram sobre o tema. É uma rede - muito mais antiga do que a digital - que associa conhecimentos. Pois ninguém - por mais inteligente, esperto, agudo que seja - é capaz de pensar sozinho.
É aqui que entra a leitura como maravilhosa ferramenta para o saber e sua expressão. E não interessa o veículo. Pode ser livro, jornal, revista, internet, poemas grafitados em muros, teses acadêmicas, cartas manuscritas ou eletrônicas.
Cada trechinho de leitura é lenha para fogueira da nossa imaginação. Estudiosos do cérebro afirmam que ele trabalha por associação. Se isso for verdade, quanto mais conteúdos assimilarmos mais associações faremos.
Voltando ao Mattoso Câmara, se para escrever preciso saber sobre o quê tenho que fazer da leitura uma prática cotidiana e sempre bem-vinda. Algo tão natural quanto inspirar e respirar.
Tenho investido nisso. Aproveito fila de banco, trem de metrô, semáforo vermelho, sala de espera de dentista (complete a lista), para puxar o livro, abrir a revista, conferir notícias no celular. Toda informação, pertinente ou esdrúxula, serve.
Toda informação será útil na hora de fazer associações. De ligar um guarda-chuva a um tomate. Será bendita na hora do vamos ver. No momento em que, sentados ou em pé, transformamos conhecimento em texto.

Imagem: Régine Ferrandis