26 de agosto de 2013

Ética profissional no mundo globalizado

Por  em 25.08.2013 as 23:59

ÉTICA PROFISSIONAL 
Sabemos que conceitualmente ética é a divisão da filosofia que estuda os valores morais e princípios que regimentam a conduta ideal do ser humano como ente social.
Deriva do termo grego “ethos” que significa aquilo que pertence ao caráter.
Na filosofia clássica, a ética não se restringia simplesmente à moral, aí entendida como “costume”, ou “hábito”,  mas buscava a fundamentação teórica para eleger a  conduta ideal, voltada para o bem em si mesmo, tanto na vida individual quanto em sociedade.
Com a profissionalização e especialização do conhecimento em decorrência da revolução industrial, a maioria dos campos abrangidos pela filosofia e pela ética foram estabelecidos como disciplinas independentes, mas mesmo assim se manteve, em princípio, o conceito voltado ao mundo do trabalho, denominando ético todo o profissional que  adequadamente exerce suas atribuições, respeitando um código de conduta,  acordado e cultuado por seus pares e respeitado  pela sociedade como um todo.
Porém na prática a teoria é outra. Infelizmente.
Não são poucos os profissionais, no nosso país, que sequer respeitam as leis civis, quanto mais o seu código de ética classista, que busca em tese transcendê-las.
E isso se vê em todas as áreas.
Nos brasis do superfaturamento, do mercado negro (chamado eufemisticamente de “mercado paralelo”), das múltiplas taxações, do suborno,  da remarcação fraudulenta de preços, do vender gato por lebre, etc., etc., etc. – agir eticamente é contracorrente.
Quem age com probidade, retidão e decoro profissionais é tomado por trouxa.  É o “caxias”, o “puxa-saco”,  o “senhor certinho”.  Ironicamente é a ovelha branca, nessa terra de macunaímas.
No mesmo exemplo, a empresa que busca “seguir as leis” e cumprir com sua função social honestamente corre o risco de fechar as portas (basta calcular a absurda carga tributária a que estão submetidas).
Num país onde a maioria dos estudantes quer tirar nota sem estudar é natural se intuir num futuro próximo uma maioria de “profissionais” que sonha em ganhar dinheiro sem trabalhar.  Seja pela fraude direta, seja pela falta de ética ou simplesmente pela exploração desleal do trabalho alheio.
Chegamos a um momento vergonhoso em nossa história.
Os sintomas são pungentes.  Antes de ler os jornais já nos perguntamos qual será o escândalo político do dia.
Chegamos ao ponto de adolescentes brasileiros serem banidos de comunidades de games on-line na internet, simplesmente porque trapaceiam.
O que dizer da conduta de nossas empresas e de nossos profissionais quando comparados com a de países “civilizados”?
(Não vou nem perguntar sobre a conduta de nossos políticos. – Isso seria covardia!).

No mundo globalizado
O fenômeno da globalização, pontuado pela velocidade da comunicação, pela livre circulação da informação e pela quebra virtual das fronteiras geográficas, está fazendo com que tudo que ocorra no círculo profissional se torne de conhecimento comum – e isso com grande velocidade e prontidão.
Dessa forma o profissional (e também a corporação) com má conduta está perdendo competitividade – como consequência da perda de prestígio.
Hoje o patrimônio mais valioso de uma empresa, e, por conseguinte, de um profissional, é a sua reputação.
Graças aos sistemas informatizados, no mercado corporativo a memória não é fraca e a monitoração da trajetória de empresas e profissionais está ficando cada vez mais refinada e precisa.
O mundo está se tornando pequeno.
Assim em países em que a regra de conduta é coisa séria, o profissional (e também a corporação) que não quiser ter uma carreira curta deve rever urgentemente a sua prática.
E o que se diz de multinacionais que instalam suas filiais por aqui?
Embora se adaptem rapidamente às idiossincrasias da Terra Brasilis,  elas não admitem que se crie em seu ambiente corporativo a mesma falta de caráter que grassa nos mundos sem lei.
E muitas empresas nacionais, felizmente, estão seguindo essa mesma trilha.
Descobriram que praticar o jogo do “ganha-ganha” honestamente pode reduzir alguns de seus lucros momentâneos, porém, afasta definitivamente o risco de serem banidos do jogo.
E para bons entendedores meia palavra basta.

Mustafá Ali Kanso é escritor, professor, engenheiro químico, empresário da mídia educacional e divulgador científico em programas culturais da TV. Leia outros artigos dele.