4 de dezembro de 2013

Crônica: Preocupações humanitárias com presos

Adede y Castro
Começo deixando claro que abomino veemente mente a ideia preconceituosa de que preso bom é preso morto, e que se o cara está preso é porque algum crime cometeu.
Não concordo e me manifesto sempre que alguém reclama da atuação das entidades de defesa dos direitos humanos de presos, por mais erros pontuais que estas possam cometer, pois direitos humanos são direitos de todos.
Exatamente por serem os direitos humanos direitos de todos é que o país estranha quando alguns presos mais influentes politicamente são motivos de grandes preocupações dos governantes e recebem benefícios que nem de longe são considerados para os demais presos ditos “comuns”.
Certamente que milhares de presos estão sendo beneficiados nesse exato momento com direitos garantidos pela lei, como tratamentos médicos e prisões domiciliares, mas alguns são mais iguais que outros, e isso é muito, muito grave.
São milhares os presos recolhidos à celas superlotadas que sofrem de doenças graves, que estão com AIDS, tuberculose e outros males transmissíveis pelo simples contato ambiental. E, com esses, não existem “preocupações humanitárias”.
O recolhimento a celas é apenas uma das muitas formas de castigar quem cometeu delitos, mas é a mais cara e a menos eficiente. De qualquer forma, é uma maneira de mostrar a sociedade que o criminoso não está sendo premiado, mas punido. Não resolve a questão da criminalidade, mas apascenta o rebanho social com a ideia de punição e a falsa segurança de que, preso, não voltará a delinquir, ao menos enquanto estiver preso. A não ser que seja chefe de quadrilha dentro do presídio, o que é bem comum hoje em dia!
Se eu tivesse um cliente preso, podem ter certeza que faria tudo o que fosse legalmente possível para liberá-lo, pois esse é o papel do advogado, mas continuo achando que o direito à dignidade não é apenas do cara influente, mas também do Zé Mané da Silva.
Leiam bem o que escrevo e não digam que estou defendendo direito de presos. Defendo o direito de igualdade de todos, presos e libertos, como forma de construir uma sociedade justa e solidária, digna de nós mesmos.
Ao contrário, estaríamos criando uma “nomenklatura” nos presídios brasileiros, com leis mais brandas para quem é ou foi “amigo do rei”.