3 de fevereiro de 2014

PM



A situação dos policiais civis e militares é dramática. Pesquisa realizada pela FGV revela que 64% dos policiais assumem não ter treinamento adequado para lidar com os protestos. Ou seja, mais da metade dos policiais que estão nas ruas não sabem o porquê de estarem lá – para reprimir, controlar, acompanhar, bater, enfim, qual ação eles devem tomar diante de uma manifestação.

A falta de preparo e a estrutura militar é criticada inclusive internamente. Recentemente, um policial militar publicou um livro chamado “Militarismo: um sistema arcaico de segurança pública”. Resultado: foi expulso da corporação e será processado por “criticar publicamente assunto atinente á disciplina militar”. 

Como qualquer estrutura militar, a hierarquia é de suma importância. Por isso, o Policial Militar que abusa, que bate, humilha e mata, não o faz sozinho, em inúmeros casos ele está “seguindo ordens”. 

Por vezes, a situação é tão caótica que o Policial Militar sequer sabe que está cometendo crime (quando agride um manifestante, por exemplo) – apenas segue ordem. Nesse sentido, caso o superior hierárquico ordene a repressão violenta, o policial que a cumpre, acha que não comete crime. 

Infelizmente, isto não está correto. Basta lembrar do massacre do Carandiru, no qual foram presos somente os policiais que cumpriram ordens, enquanto os que ordenaram foram hipocritamente testemunhas de acusação. 

Alguns protagonistas deste episódio permaneceram servindo ao Poder Público; Coronel Ubiratan elegeu-se deputado estadual, Fleury (governador de São Paulo, na época) deputado federal e Pedro Franco remanesce Procurador de Justiça. 

Resultado é o uso historicamente político da Instituição, refletindo em policiais perdidos, sem saber o que fazer, como agir, prontos para o bode expiatório.