27 de fevereiro de 2014

Todo esse esforço... mas funciona tudo direitinho

Hoje de manhã fiquei pensativa com uma coisa. No intervalo da aula ficaram algumas pessoas na sala, e pude ouvir duas colegas conversando e percebi que era sobre dieta. Uma contava que tomava remédio para emagrecer, e a outra dizia outro remédio, uma dizia que estava emagrecendo mas que se não emagrecesse pelo menos 100g em um dia teria que passar o dia comendo apenas maçã, a outra dizia que estava se sentindo fraca, sem disposição e depressiva. Ainda comentaram o valor dos remédios, quase R$300,00 um frasco de remédio que dura 2 meses. Uma delas saiu e terminou a conversa.

Logo em seguida, ao meu lado posso ouvir outra conversa de outras 3 gurias, adivinha, estavam falando sobre dieta. Uma delas contava sobre a dieta que estava fazendo, que só pode comer proteína, nada mais, repito, nada mais, e que toma vitaminas das quais uma cápsula tem todas as vitaminas que ela precisa no dia. Contava que se sente fraca seguidas vezes ao dia, para subir escada logo cansa, fica ofegante, baixa a pressão com pouco esforço. Essa parecia um pouco pálida e com olheiras, não sei se porque estávamos em uma aula de manhã cedo, mas, ela não aparentava estar saudável, notamos quando alguém está abatido.
Essa também falou o valor do "tratamento", que é acompanhado por uma Médica, pelo menos R$500,00. 

Eu, ali, tomando café e comendo um sanduíche que havia comprado no bar, fiquei analisando toda aquela questão, aí comecei a observar como elas eram. Todas as que contaram que estavam fazendo dietas são gurias lindas, normais, meninas com o corpo como "deve ser" (em se falando de saúde), nem magrela e nem obesa, nem gordas, nem raquíticas. Se havia alguma com sobre peso era um detalhe, nada que uma controlada na alimentação sem fazer cortes drásticos, mantendo a boa alimentação saudável, com frutas, verduras, legumes e cereais, e um bom programa regular de exercícios não resolvesse para eliminar as gordurinhas a mais que elas desejavam não ver em seu corpo. Eu notei que elas têm o apoio das mães (família) para fazer essas dietas, uma ainda disse que a mãe dela também faz.

Fiquei pensando, qual é a necessidade disso? Por que fazer isso: dietas drásticas, pagar horrores por remédios que, muito provavelmente depois do "tratamento" vão engordar novamente porque é uma mudança muito drástica no organismo, que vai ficar desregulado, acredito eu; e além disso, as deixam mal, fracas, com baixa auto estima, e até depressivas? E isso acontece com milhares e milhares de meninas pelo mundo a fora.

Eu sou uma pessoa que está um pouco acima do peso, sempre fui "cheinha" desde criança, nunca fui magrela, normal, e estou muito bem comigo mesma, gosto assim, e se uma hora eu achar que quero mesmo emagrecer, aí coloco na cabeça de fazer exercício e controlar a alimentação, que é algo que faço às vezes mas não com tanto afinco porque, me sinto bem assim. Nunca recorri, ou nem sequer pensei em recorrer, a remédios desse tipo, dietas malucas que a pessoa só pode comer ovo. Ovo de manhã, bife de meio dia, ovo de noite. Nem suco "não podia" tomar.

E o mais intrigante foi que elas contavam isso com um afinco, uma determinação, um orgulho e quase uma fé de que isso é a coisa certa para seu corpo/saúde.

Estamos em uma sociedade em que o padrão de beleza ultrapassa os limites da saúde e "determina regras" há muito tempo. Mas há que se pensar mais. Submeter-se a um "tratamento" (como se estivesse doente ou com alguma coisa 'errada'), passar mal, sentir-se fraca, gastar muito dinheiro, arriscar sua saúde, porque não consegue se desvincular desses falsos valores que estão incrustados, cotidianamente repetidos pela TV, revistas, etc. Isto, para mim foi só uma reflexão, mas para muitas é o dia-a-dia, e a questão é mais séria e passa da simples reflexão. É preciso retomar os valores naturais, buscar aceitação de si mesmo, e determinação na saúde, pelas coisas naturais, pelo sentir-se bem, pela qualidade de vida.

Bibiana Rabaioli Prestes