22 de julho de 2014

Sem parágrafo. Nem hipocrisia

Esta "sociedade", na qual uma mulher morre a cada hora, vítima de violência doméstica, e que se permite a uma educação jesuiticamente generalizada e doutrinariamente excludente, em face da qual os professores exercem o poder e controle total sobre os alunos (sobre suas mentes, almas e corpos), e, mesmo tendo um dos piores índices de educação do mundo, opõe-se às cotas de ingresso universitário, e que vive no engano das palavras deslocadas, e que chama o esgoto de comunidade, e que sente orgasmos multifacetados por enfiar um anel de formatura no dedo, imprimir um cartãozinho de visita e obter milhares de canudos (vazios), e que trata seus agricultores (grandes ou pequenos) como pessoas de segunda categoria, e que vive babando e chorando diante de novelas, missas, futebol e cultos (formadores de currais e açougues), e que chama de "bandidos" aqueles poucos que resistem nas ruas ao processo capitalista de desfazimento, e que forma juízes, advogados, promotores de "justiça" e outros "operadores do direito", comprometidos, até o fundo, com a direita mais retrógrada, burra e bancária de todo o continente, e que, além de tudo, precisa de leis contra a alienação parental e ainda outras, de proteção à criança, adolescente, juventude, mulher, negros, concubinos, lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros, enfim, esta sociedade na qual estamos, é mesmo um criadouro de políticos corruptos, homens violentos, linchadores de plantão, necrófilos, policiais militares assassinos, governos fascistas, parlamentares zumbis e antissemitas, porque os corruptos, os violentos, os linchadores, os necrófilos, os policiais assassinos, os governos fascistas, os zumbis e os antissemitas, nascem, e são criados nesse ninho, nessa toca, nesse esgoto, nesse aterro sanitário: não vêm do céu, não vêm do inferno nem, muito menos, dos "imperialistas"!
Pietro N Dellova, 2014. Pietro Nardella-Dellova