8 de outubro de 2014

Inspire-se em 3 escolas que romperam com a sala de aula

Aprendizagem baseada em curiosidade, projetos e games. Blue School, High Tech High e Quest To Learn dão novos ares à educação.

>
Inspire-se em 3 escolas que romperam com a sala de aula

87% dos estudantes da High Tech High se formam nas universidades. 35% é a média do estado da Califórnia.

















Este artigo foi traduzido por AsBoasNovas.com e originalmente publicado na edição de Setembro de 2014 da revista Wired por Madhumita Venkataramanan.
O que acontece nas salas de aula não mudou desde os tempos vitorianos: a maioria das escolas ainda se baseia no modelo Gradgrindian, em qual os alunos absorvem a sabedoria do professor e são testados nas coisas que lembram. Felizmente, alguns educadores estão mostrando que os modelos alternativos podem proporcionar criatividade e autoaprendizagem. "A pessoa chave na educação é o aluno", diz o psicólogo evolucionista Peter Gray, da Universidade Rockefeller. "Às vezes, a inovação é "não fazer nada" – deixar as crianças assumirem o controle." Achamos que é hora de reinventar o ensino primário e secundário. Aqui estão seis projetos que passaram no teste da Wired.

1. Blue School
Nova Iorque, EUA

O Blue Man Group é composto de humanóides teatrais com rostos pintados que exploram o mundo ao seu redor. Este espírito curioso tomou conta da Blue School, fundada em Lower Manhattan pelo trio original de Blue Man e suas esposas. A escola, que atualmente vai até a 5ª série e expandirá até a 8ª, em 2017, acredita que as mentes curiosas são as melhores na aprendizagem e ter perspectivas diferentes é a melhor forma de incentivar a curiosidade.
No núcleo da escola há seis modos de aprendizagem, baseados em performances do Blue Man Group. Estes são personagens que as crianças "experimentam": há o Cientista, o Inocente, o Membro do Grupo, o Herói, o Artista e o Malandro, cada um com visões de mundo únicas. Os heróis, por exemplo, são líderes, enquanto Malandros desobedecem às regras e são inovadores. Enquanto crianças no jardim infantil estavam aprendendo sobre o trabalho do artista Andy Goldsworthy, eles estudaram isso a partir do ponto de vista do Malandro. Logo, as paredes da escola estavam cheias de obras de arte da guerrilha: paus, pedras e folhas foram coladas e presas clandestinamente. "Isso realmente foi um ato do Malandro, e foi apoiado e celebrado pela escola", diz Matt Goldman, co-fundador da escola e do Blue Man Group.
Crianças de dois anos em turmas da pré-escola batem tambores cobertos de tinta neon, uma ideia que vem de uma das performances do Blue Man Group. Em séries mais velhas, as crianças têm mais peso sobre o que eles querem aprender. "O trabalho do professor é pegar as perguntas que as crianças fazem, e transformá-las em um currículo", diz Allison Gaines Pell, diretora da Blue School. Em um exemplo, quando alunos da 5ª série estudaram A Odisséia, de Homero, ficaram interessados em saber como os gregos preservavam comida antigamente – e acabaram construindo um desidratador de alimentos para tentar descobrir isso.
Através de um currículo baseado em curiosidade, os fundadores da escola acreditam que estão criando crianças empreendedoras. "Achamos que há uma espécie de alquimia combustível em ter uma visão rica de mundo", diz Chris Wink, co-fundador da escola e Blue Man. "É ser capaz de pular de uma lente para outra."

2. High Tech High
San Diego, EUA

Larry Rosenstock estava ensinando carpintaria em uma escola estadual em Massachusetts nos anos 90, quando percebeu que projetos práticos era melhor maneira de envolver as crianças. Então, em 2000, ele ajudou a criar High Tech High, uma escola de ensino médio em San Diego com 200 crianças, com financiamento do Irwin Jacobs, co-fundador da Qualcomm. A escola é um dos 12 institutos a se especializar em aprendizagem baseada em projetos, com mais cinco (que vão do primário ao ensino médio) que serão construídas dentro dos próximos cinco anos.
A entrada na escola se dá por meio de sorteio e os alunos e professores trabalham em equipes como "designers" para adequar seus próprios currículos. Projetos concluídos até agora incluem um guia de campo ambiental a Baía de San Diego, que foi vendido na Amazon, e um estudo de um ano em vídeo sobre violência armada em escolas. Os professores muitas vezes misturam disciplinas; por exemplo, um projeto de arte pode envolver a construção de uma escultura incorporando engrenagens, que os alunos estão estudando em física.
Os benefícios são claros: 87% de estudantes da High Tech High se formam em cursos universitários de quatro anos, em comparação com a média do estado de 35%, segundo Rosenstock. O plano agora, diz ele, é se tornar global. Ele ensina dois Cursos Online Abertos e Massivos (MOOC), um com o MIT Media Lab sobre aprendizagem mais profunda, e outro com a Universidade da Califórnia, em Berkeley, sobre como iniciar uma escola. "O mundo precisa experimentar mais o que uma escola pode ser", diz ele.

3. Quest to Learn
Nova Iorque e Chicago, EUA

Katie Salen codificava e ensinava desenvolvimento de jogos virtuais em Nova York em 2009 quando ela se interessou pela obsessão de crianças de 11 anos com videogames. "Design de videogames tem tudo a ver com a experiência do jogador", diz ela. "É preciso construir um sistema onde eles sintam que estão no controle e podem ganhar. Muitas vezes, isto não é um sentimento que crianças do ensino médio têm." Por isso Salen, 43, fundou Quest to Learn em Nova York – uma escola pública em que as construções de salas de aula se baseia nos princípios de design de videogames. Designers de videogames internos trabalham com os professores, e o Instituto de Jogos da Salen, uma organização sem fins lucrativos que administra a escola, tem incubado um estúdio chamado GlassLab com Artes Eletrônicas, que desenvolve jogos com um componente de avaliação.
O currículo é baseado em desafios. "Nós os chamamos de missões", explica Salen. "Montamos um problema que as classes têm 10 semanas para resolver. Quando completam uma missão, outra é desbloqueada. Com jogos você falha, mas isso te ajuda a seguir em frente e melhorar." Peças como bambolês e dados são regularmente utilizados nas salas de aula. Missões incluem um desafio para escrever um plano de negócios para um negócio de caminhão de alimentos. Outra usou Minecraft para construir um sistema de energia sustentável para a escola baseado em jogos: um modelo geotérmico gerado por lava derretida fluindo abaixo do prédio.
Hoje existe uma escola cooperativa em Chicago e outra já está planejada para Denver. Próximo passo: usar o que aprenderam para levar as salas de aula à Turquia.
A matéria original publicado na edição de Setembro de 2014 da revista Wired por Madhumita Venkataramanan, apresentou 6 escolas. AsBoasNovas.com publicará as próximas 3 na semana que vem. Acompanhe!
FONTE: As Boas Novas