2 de março de 2015

A morte da inocência

Antes eu li uma notícia de 2013, de um jornal alemão, de que uma menina muçulmana de 8 anos de idade morreu após a lua de mel de seu casamento com um homem de 40 anos de idade, vendida pelo valor que equivale a R$6 mil pelo padrasto, no Iêmen. O médico disse que ela tinha lacerações no útero.
Não paro de pensar nessa notícia, nessa menina, no que ela passou, tamanho horror ela sofreu. Não paro de pensar em como pode ser possível as pessoas terem permitido isso, terem feito com que isso acontecesse com ela, e com milhares de meninas nos países islâmicos. 
Frentes dos direitos humanos tentaram fazer com que lei que aumenta a idade para casamento subisse para 18 anos fosse aprovada mas, foi derrubada por conservadores que disseram que tal norma é "não islâmica".
E não é mesmo, tudo o que essas meninas precisam são normas não islâmicas, porque as consideradas islâmicas estão as matando... matando!
Usei a palavra "pessoas" equivocadamente, pois "pessoa" é aquela que nasce com forma humana. Mas o que é forma humana? O que é ser humano? Ser humano não pode ser quem faz essas coisas, ou quem se omite a elas. Calcados na religião eles aceitam, praticam, evidenciam o casamento com crianças. Algo que aqui e na maior parte do mundo é tratado como pedofilia. O mais complicado de tudo, é saber que os países, que consideram essas condutas hediondas e desumanas, não podem fazer quase nada, não podem intervir profundamente, com uma sensação enorme de impotência, em virtude da Soberania dos países. 
Mas e o que faríamos nós Brasil, por exemplo, país hipócrita, que também tem tantos problemas de abusos de crianças, de mulheres, de preconceitos, de racismos...? Existem frentes de combate à desumanidade praticada ao redor do mundo, em cada continho tem algumas pessoas que abominam o que acontece e, na medida do possível, fazem coisas pelo bem das pessoas que são vítimas das atrocidades. Como uma gotinha no oceano ajudam as pessoas e fazem a diferença para essas. 
Mas, ainda vejo isso como insuficiente para definitivamente erradicar os atos (e omissões) de desumanidades no mundo. Precisamos ainda de muitos e muitos e muitos séculos para evoluir. Além de séculos, precisamos de governos que deem prioridade à educação, às crianças, à vida.

Bibiana Rabaioli Prestes, 02/03/2015.