16 de julho de 2015

Quem se vê no calçadão

No piso áspero e frio quando à sombra, e quente queimante quando ao sol, entre as lajotas, as marcas, os vincos, as raízes, as pessoas que disputam o chão. Em uma calçada, no centro de uma cidade como Santa Maria, há muito mais do que passos apressados, passos de sapatos lustrosos passando na pressa cotidiana, passos de saltos altos elegantemente parando de quando em quando na frente de vitrines. 
Se passa distraído finge que não vê, mas se ver, vê uns pezinhos descalços ou com um chinelinho velho.
Esses pezinhos sujos, pequeninhos e amarelinhos, caminhando rapidinho pelo calçadão, juntos aos olhinhos pidões de seus donos indiozinhos e indiazinhas. Mas o que mais fazem esses pezinhos é brincar, ali mesmo, com seus irmãozinhos, não importa se o chão do calçadão está todo sujo, é o que eles têm, é o que eles fazem. 
Dois, três, quatro, cinco, seis pares desses pezinhos amarelinhos e sujos brincam ao redor das cestinhas de palha, cocares, penas e macelas, no calçadão de Santa Maria. Passe e repare.