16 de dezembro de 2015

7 dicas indispensáveis de segurança em viagens


Uma das coisas mais importantes que eu aprendi nas minhas viagens é que as pessoas são essencialmente boas. A maior parte delas, pelo menos. Tem mais gente disposta a ajudar que a atrapalhar a sua vida. Isso contraria o senso comum, que insiste em nos dizer que é preciso dormir com um olho aberto e outro fechado.
Mas a verdade é que milhares de pessoas saem de suas casas e vivem suas vidas todos os dias sem que algo de ruim lhes aconteça. Assim como milhares de viajantes deixam seus países todos os anos, viajam e voltam inteiros e cheios de boas histórias para contar.
O problema é que, vez ou outra, alguém cruza o caminho com gente ruim, e esses casos – com certa razão – fazem o maior barulho. Na última semana, as redes sociais foram inundadas pelos apelos de uma família desesperada com o sumiço da jovem Chris Ribeiro, em Barcelona.
A modelo capixaba parou de se comunicar com os parentes após enviar um código de socorro para a irmã. Felizmente, Chris foi encontrada com vida. A polícia afirma que ela foi sequestrada e liberada após a repercussão do caso, e há quem suspeite que ela seria vítima de tráfico de mulheres. Só para citar outro exemplo, tem também o mochileiro de Brasília que sumiu no Peru e nunca mais foi visto. Antes, o caso era tratado como desaparecimento, hoje, já suspeitam de homicídio.
Por mais que o mais provável é que você não tenha que lidar com uma situação tão tensa quanto as duas citadas acima, é importante tomar algumas medidas para evitar ou se proteger do perigo quando ele se aproxima. Essas dicas valem para todos, mas em especial para quem está viajando sozinho, situação em que estamos mais vulneráveis.
Viajante com câmera

Encaminhe seu roteiro de viagem para sua família e amigos

Sabe aquela planilha que você montou com as datas em que você vai estar em cada cidade, o hotel em que vai se hospedar, o número dos voos ou trens que vai pegar e até, quem sabe, qual atividade vai fazer em cada dia? Encaminhe-a por e-mail para seus amigos mais próximos e para a sua família.
Assim, eles podem acompanhar seu trajeto e saber exatamente onde você deveria estar a cada dia da viagem. Caso você pare de dar notícias, eles podem se tranquilizar tentando falar no seu hotel ou, se for o caso, entrar em contato com a embaixada brasileira mais próxima.

Combine um código de segurança com alguém

Tenha uma palavra simples, direta e de fácil digitação a ser enviada para alguém de confiança se, por acaso, você se ver no meio de uma situação ameaçadora. Essa estratégia foi, provavelmente, o que salvou a vida da Chris Ribeiro em Barcelona. Assim que recebeu a mensagem previamente combinada, “AKI”, sua irmã começou a mover esforços para encontrá-la. Se tivesse sido necessário esperar alguns dias até que a família desse falta dos contatos da modelo, pode ser que esse caso não tivesse terminado bem.

Evite estar incomunicável – em especial se estiver viajando sozinho

Tenha um smartphone, mesmo que seja um modelo antigo e barato. Nem sempre é possível ter acesso à internet todo o tempo, mas na maior parte dos países é possível comprar um chip local com plano de dados por poucos dólares ou acessar wifi público em praças e restaurantes fast food.
Outra boa ideia é investir em um carregador de bateria portátil. Claro que, dependendo da viagem, não será possível – ou pode nem ser seu objetivo – manter uma conexão com o resto do mundo o tempo inteiro, mas poder mandar uma mensagem por whatsapp ou deixar um aviso no seu Facebook pode te salvar de apuros.

Saiba como enviar sua localização por Whatsapp

Se você for se encontrar com algum desconhecido, se perder ou se ver no meio de alguma situação desconfortável, envie sua localização por Whatsapp para alguém de confiança. Veja abaixo como fazer:
segurança em viagens

Decore o número da polícia local

A maior parte dos países tem um número nacional de fácil memorização para emergências. Decore esse número ou coloque-o na agenda do celular.

Seja discreto e desconfiado

Evite dar detalhes desnecessários sobre sua vida e sua viagem a desconhecidos. Se você está falando com uma pessoa que viu pela primeira vez em uma balada, não precisa sair gritando que está viajando só. Também não é necessário contar para todos o endereço, ou mesmo o nome do seu hotel. Gente que te aborda na rua, guias ou motoristas com perguntas estranhas, por exemplo: você não precisa responder a essas pessoas ou pode dar respostas evasivas, cortando o assunto.
Viajar é uma ótima oportunidade para conhecer e falar com gente, mas é preciso bom senso na hora de interagir. Caso se sinta incomodada (digo no feminino porque creio que é mais provável que essa situação ocorra com mulheres sozinhas) invente um amigo, um irmão, um namorado que “está te esperando ou que já está chegando, só foi comprar uma coca-cola”.

Cuidado com o que (e com quem) você bebe

Bares de Belo Horizonte
Não aceite bebidas abertas de estranhos ou bebidas que você não tenha acompanhado todo o processo de preparação até chegar em você. Dispense também aquelas que você largou na mesa para ir ao banheiro ou tirou os olhos de cima por alguns minutos. Se você estiver sozinho, evite também beber muito. Lembrando que os amigos de 15 minutos que você fez no bar ou no hostel não contam como companhia de confiança. Tenha cuidado redobrado ao sair à noite.
Além do famoso boa noite cinderela e do perigo das quadrilhas de tráfico internacional de mulheres, há também os casos de mulheres maravilhosas que se aproximam para dar mole a viajantes, que acabam se embebedando além da conta e acordam sem todos os seus pertences.
No fim, como disse a Luíza em uma discussão que tivemos sobre o assunto, não é o caso de desconfiar de tudo e de todos, como se um perigo espreitasse a cada esquina. É preciso aproveitar a viagem, mas com consciência de que você está sozinho em um país desconhecido e só pode contar com você mesmo, por isso é melhor não brincar com a sorte.

Sou jornalista, mas o que eu sempre quis mesmo é contar histórias e colecionar aventuras. Na falta de um emprego desses, criei um para mim: desde 2011, viajo pelo mundo e escrevo sobre o que vi. Sou mineira de BH, mas já chamei de casa a Cidade do Cabo, Chandigarh e Buenos Aires, onde vivo no momento. Gosto de literatura, cervejas, artigos de papelaria e tenho um cachorro salsicha chamado Whisky. Também escrevo o blog Oxford Comma.