21 de junho de 2016

Em 2025 os habitantes de Helsinki não terão mais razões para possuir um carro

por Constanza Martínez Gaete


Oferecer um sistema de transporte público confiável e eficiente é a estratégia de muitas cidades para desestimular o uso dos automóveis particulares e, assim, evitar os danos ambientais e urbanos causados por estes.

Uma destas cidades é Hamburgo, que em novembro de 2013 lançou o Green Network, um plano para eliminar o uso do automóvel nos próximos 20 anos, contando, para isso, com a conexão de todas as áreas verdes da cidade, acessíveis a pé ou de bicicleta.

Há alguns dias, Helsinki anunciou um ambicioso plano que visa integrar vários meios de transporte ao seu atual sistema público que, em teoria, funcionaria tão bem que os cidadãos não teriam mais razões para possuir um carro.

Saiba mais sobre este plano que pretende, até 2025, desestimular o transporte individual motorizado da capital finlandesa. 

“O carro já não é um símbolo de status para os jovens” 


A engenheira de transporte do Departamento de Planejamento de Helsinki, Sonja Heikkilä, conta que o plano não tem como objetivo proibir os automóveis, mas proporcionar outras opções de mobilidade sustentável, assim, as pessoas que já possuem um carro não precisarão utilizá-lo para os deslocamentos que podem ser feitos através do transporte público. 

Desta forma, o que se pretende é alterar o paradigma de como nos movemos dentro da cidade que, como diz a engenheira, é um tema que leva tempo para ser digerido, sobretudo para as pessoas mais velhas que não querem renunciar aos seus carros. Contudo, esta é uma meta possível, pois a maioria das pessoas está interessada em cuidar do meio ambiente e economizar dinheiro. 

Este último motivo é um dos que melhor representa os jovens, que são mais flexíveis em suas exigências. É por isto que para esta faixa da população o carro já não é um símbolo de status como fora para seus pais, segundo constata 'Heikkilä para o Helseinki Times, a partir dos resultados de uma pesquisa feita como parte de sua dissertação de mestrado. 

Nesse sentido, o plano poderia se sustentar nos próximos anos, já que, se agora os mais jovens não necessitam de um carro, este paradigma deve ser mantido nos próximos 10 anos, se acompanhado de um sistema de transporte público eficiente. 

A essência do plano: Sistema de Transporte Intermodal 


O projeto de Helsinki se baseia na ideia de que o sistema de transporte público deve ser on demand, ou seja, de acordo com a demanda individual de cada cidadão. 

Assim, quando uma pessoa precisar se deslocar, poderá planejar sua viagem através de um aplicativo para smartphones onde estarão indicados os horários e linhas de transporte, além de outros dados como a origem, o destino e se preferem usar ônibus, bicicletas, taxis ou bondes. Além disso, essas informações deverão ser combinadas e compartilhadas com as de outros usuários. 

As taxas para utilizar esse sistema integrado serão pagas através de uma plataforma “universal”, independente do meio escolhido. Para isto, estão sendo estudadas duas formas de pagamento. Uma na qual os cidadãos pagam o serviço em função dos quilômetros percorridos, e outra em que se pode “comprar” quilômetros mensais. 

Dentro deste plano também se considera o Kutsuplus, um sistema de micro-ônibus que transporta os cidadãos de acordo com o itinerário elaborado pelos pedidos de quem está mais próximo. Este plano, elaborado pela Autoridade de Transporte Regional de Helsinki (HSL), é mais caro que andar de ônibus, porém mais barato que pedir um taxi e evita que haja mais carros nas ruas transportando poucos passageiros. 

É possível? 


Atualmente, o transporte público de Helsinki é operado unicamente pela Autoridade de TransporteRegional. Contudo, Heikkilä acredita que se forem incluídos outros operadores, o plano poderá funcionar melhor até 2025. 

Por enquanto está previsto que o plano comece a funcionar no final deste ano, ainda em fase de testes, em Valilla, um bairro central da capital finlandesa. Após ser posto em prática, ele deverá passar por alterações e, posteriormente, ser implementado em outras áreas de Helsinki. 

Via Plataforma Urbana. Tradução Arthur Stofella, ArchDaily Brasil.