7 de junho de 2016

“Me descobri preconceituosa”

Uma amiga compartilhou comigo este texto e não pude deixar de compartilhar com meus leitores! 
Eu já trabalhei em pesque & pague, em loja de roupa, em clínica, em cooperativa, em saj (serviço de assistência jurídica que chamam no direito de submundo do judiciário - o que não é verdade -), sempre atendi pessoas e sempre gostei de lidar com pessoas, e agora que sou formada em Direito, rumo à carteira da OAB, ao mesmo tempo que estudo pro exame faço uns freelas de pesquisadora, revisora de texto, coach e professora particular, e se surgir algo mais que dê dinheiro é bem vindo! 
Todo trabalho é honesto, o que importa é isso e se você gosta de fazer o que faz. Não precisamos nos preocupar com o que os outros vão pensar ou falar. 
Já li que na Holanda, por exemplo, dono de empresa e garçom ou doméstica, são vistos no mesmo patamar social e até a diferença de salário é pequena, todos se respeitam. Na Austrália, tenho um amigo formado em Administração aqui no Brasil, que trabalha como pedreiro lá e ganha muito bem, bem diferente da situação dos pedreiros daqui do nosso país. 
Essa cultura que o brasileiro (generalizando mesmo) tem de achar que uns são melhores que outros pelo trabalho que ocupam, precisa mudar.

~*~


Ontem me deparei com o puro e honesto depoimento da Beatriz Franco no Facebook e depois de entrar em contato com ela e pedir permissão, compartilho na íntegra aqui com vocês. Com certeza uma boa leitura para começar o dia, achei pura inspiração ;) “Me descobri preconceituosa. Eu, que defendo tanto a igualdade de gêneros, […].
~*~

Ontem me deparei com o puro e honesto depoimento da Beatriz Franco no Facebook e depois de entrar em contato com ela e pedir permissão, compartilho na íntegra aqui com vocês.

Com certeza uma boa leitura para começar o dia, achei pura inspiração ;)



“Me descobri preconceituosa. Eu, que defendo tanto a igualdade de gêneros, de cor, de religião, que tenho amigos gays, nordestinos, evangélicos, jovens, velhos, com dinheiro e sem, até coxinhas e petralhas! Vários tipos de rótulos.

Explico: Nos últimos meses, minha área de trabalho – como muitas – está muito ruim. Em quatro meses não consegui quase nada. Então, depois de meses me enterrando num sofá perdendo tempo, vida e dinheiro, surgiu a oportunidade de ajudar uma amiga atendendo clientes em sua loja de doces. Quatro vezes por semana, período da tarde, remunerado. Uma boa forma de ocupar a cabeça, sair de casa e ter algum dinheiro. Foi aí que veio o primeiro julgamento: Eu, balconista? Jornalista, três idiomas, currículo em comunicação, trabalhando de touquinha na cabeça servindo os outros? Foi difícil tomar essa decisão, mas aceitei, estou precisando.

Dias depois, a cena durante a tarde, limpando uma das mesas, ouvi dois clientes conversando: “Coloco acento em ‘tem’? Mudou com a nova ortografia?” “Não sei. Não entendo.” E eu ali me remoendo pra dizer “eu sei, eu sei!!!”. Mas, eu era só uma atendente e eles não iriam acreditar que eu sabia. Depois a barreira seguinte: conhecidos e colegas antigos entrarem na loja e me verem nessa função. “O que eles vão pensar? Eles não sabem como cheguei até aqui, que a dona é minha amiga, vão pensar que não dei certo na vida.”

Dá pra entender como isso é errado??? Era com essa inferioridade que eu via os outros atendentes, balconistas e nunca tinha percebido! Sentia vergonha por estar em um trabalho honesto, justo, que traz alegria para as pessoas, que auxilia os outros? Eu deveria é ter vergonha de mim por pensar assim, por tanta falta de humildade e empatia.

Por um preconceito idiota eu ia perder a chance de conhecer tanta gente nova como nas últimas três semanas, de ouvir tantas histórias de vida como sempre gostei de fazer, de aprender um novo trabalho, de ajudar uma amiga, de ter dinheiro pra comprar uma nova bicicleta, pra ir no casamento de uma amiga em outra cidade, de viver! Em tão pouco tempo, esse trabalho que eu achava tão inferior já me ajudou a estar mais feliz, disposta, a ter novas ideias, entender como uma pequena empresa funciona, a buscar cursos para aprender mais.

Como dizia meu avô: A vida não é como a gente quer, é como ela se apresenta! Então, estou aqui aceitando com muito amor e gratidão o que me foi apresentado. Aceitando novas formas de crescer e evoluir com, por enquanto, um preconceito a menos. Hoje, estou aqui, jornalista, tradutora, professora de idiomas, aprendiz de gestora e sim, atendente de um ateliê de doces. E o que mais precisar, a gente aprende a fazer também! E, modéstia à parte, eu tbm fico linda de touquinha! :p

Esse textão é pra tirar de uma vez essa vergonha de mim, para agradecer pela confiança e apoio dos queridos amigos Veronica, Bruno e Felipe, pelo empurrão dos meus pais Edna e Orlando e, talvez, se não for me achar muito, ajudar alguém a fazer a mesma reflexão e dar um passo à frente se for o momento.”