5 de setembro de 2016

Dia nublado e cinzento - Conto


por Bibiana Rabaioli Prestes



Adoro dias como o dia de hoje. É início de setembro, então, é final do inverno, quase primavera.
São 12:45h e está nublado. Sem chuva, mas o tempo está úmido, algumas pessoas na rua, precavidas, carregam guarda-chuva e usam botas de cano alto.
Há nuvens cinzentas por todo o céu, se movendo numa velocidade quase apressada, mas sem deixar escapar nem um pedacinho azul do céu. 
Os dias cinzentos são misteriosos, calmos, mas o de hoje tem algo a mais.
No céu, dezenas de passarinhos voam, andorinhas, provavelmente. Voam como se adorassem essa densidade úmida e fresca do ar.
Tem bastante gente andando na rua, indo para seus trabalhos, a garota ruiva de blusa verde sobe calmamente a ladeira, enquanto o vidraceiro abre a porta lateral da vidraçaria e limpa a cuia, para cevar um novo mate para essa tarde.
Ouve-se o canto de passarinhos de todo tipo por aqui: pombas, bem-te-vis, tico-tico, chupim, tucano, curruíra. Joões-de-barro passeiam tranquilamente pela grama, um sangue-de-boi bicou na janela. Ele faz isso às vezes... solitário, vê seu reflexo no vidro e pensar ser um igual, ele bica, bica, bica, e se vai embora, para noutro dia tentar de novo.
A ameixeira está carregada de ameixas amarelas, as laranjeiras e limoeiros estão em flor pela segunda vez no ano e as roseiras florescem lindamente.
Tudo isso em um dia nublado e cinzento.